OLA MEUS AMADOS LEITORES! ♥
HOJE QUERO TRAZER UM CONTEÚDO DE FILOSOFIA PARA AQUELES QUE ESTÃO ESTUDANDO A MATÉRIA, OU PARA OS QUE QUEREM SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO.
CONFIRA...
SÓCRATES
Sócrates nasceu em Atenas (470 a.C)
e ali morreu (399 a.C)
Seu pai era um escultor e sua mãe era parteira.
Não escreveu nenhuma obra.
Conhecemos Sócrates através de seus discípulos, sobretudo
Platão.
_Conhece-te a ti mesmo
(Oráculo de Delfos)
A maiêutica como método para produzir a verdade (o parto
da verdade).
“Só sei que nada sei”
Sócrates é considerado o Pai da Filosofia
Grega. Acusado
de “impiedade”, Sócrates foi condenado a beber cicuta (399 a.C)
Valorizou a descoberta do homem feita pelos sofistas,
orientando-a para os valores universais.
Sócrates nasceu em 470 ou 469 a.C.
Aprendeu a arte paterna, mas dedicou-se
inteiramente à
meditação e ao ensino filosófico, sem recompensa alguma,
não obstante a sua pobreza.
Desempenhou alguns cargos políticos e foi sempre
modelo irrepreensível de bom cidadão.
Formou a sua instrução sobretudo através da
reflexão
pessoal,na moldura da arte ateniense da época.
Inteiramente absorvido pela sua vocação, não
se deixou
distrair pelas preocupações domésticas nem
pelos
interesses políticos.
Foi valoroso soldado e rígido magistrado. Mas, em
geral,
conservou-se afastado da vida pública e da política
contemporânea, que contrastavam com o seu
temperamento crítico e com o seu reto juízo.
Julgava que devia servir a pátria conforme
suas atitudes,
vivendo justamente e formando cidadãos sábios, honestos
e temperados – diversamente dos sofistas, que agiam para
o próprio proveito e formavam grandes egoístas, capazes
unicamente de se acometerem uns contra os outros e
escravizar o próximo.
A liberdade de seus discursos, a feição
austera de seu
caráter, a sua atitude crítica, irônica e
conseqüente
educação por ele ministrada, criaram descontentamento
geral,
hostilidade popular, inimizades pessoais,
apesar de sua
probidade.
Sócrates, aparecia diante da tirania popular, como
chefe
de uma aristocracia intelectual.
Mileto, Anito e Licon moveram uma acusação
contra ele:
de corromper a mocidade e negar os deuses da pátria
introduzindo outros.
Sócrates desdenhou defender-se diante dos juízes e
da
menos.
Tinha ele diante dos olhos da alma não uma
solução
empírica para a vida terrena, e sim o juízo eterno, para a
imortalidade. E preferiu a morte.
Declarado culpado por uma pequena minoria,
assentou-se
com indômita fortaleza de ânimo diante do tribunal, que o
condenou à pena capital com o voto da maioria.
Tendo que esperar mais de um mês a morte no
cárcere, o
discípulo Criton preparou e propôs a fuga do Mestre.
Sócrates, porém, recusou, declarando não
querer
absolutamente desobedecer às leis da pátria. E passou o
tempo preparando-se para o passo extremo em palestras
espirituais com os amigos.
Especialmente famoso é o diálogo sobre a
imortalidade da
alma – que se teria realizado um pouco antes da
morte e foi
descrito por Platão no Fédon com arte incomparável. Suas
últimas palavras dirigidas aos seus discípulos, depois de
ter
sorvido tranqüilamente a cicuta, foram: “Devemos um galo
a Esculápio”. É que o deus da medicina tinha-o livrado do
mal da vida com o dom da morte.
Sócrates morreu em 399 a.C. com 71 anos de idade.
O Canto do
cisne
A certeza da morte iminente nem de longe deixou o
filósofo grave e
taciturno. Pelo contrário, enquanto aguarda na prisão a
execução de sua
sentença, Sócrates prepara-se para cantar o seu
"canto do cisne". Na
companhia de amigos e discípulos, o prisioneiro explica
jovialmente por
que dá as boas-vindas à morte.
Você não admite, Símias, que tenho o mesmo dom da
profecia
que os cisnes? Pois eles, que cantaram durante toda a
vida, ao
perceberem que devem morrer, de modo algum deixam de
cantar
e cantam mais docemente que nunca, exultando com o
pensamento de que logo irão ter com Apolo, de quem são
representantes.
Os homens, entretanto, como temem a morte, falsamente
acusaram
os
cisnes de cantarem lamentos em seus dias finais.
Quanto
a mim, os poderes proféticos de que Deus me dotou
não
são menores que os dos cisnes, e não estou nem um
pouco
triste por deixar esta vida
Diálogo Fédon
Esse duplo sentimento era compartilhado por
todos nós; às vezes ríamos e às vezes chorávamos,
especialmente o sensível Apolodoro."
Apolodoro não se conformava com a condenação
de Sócrates:
"O que acho mais difícil de suportar, Sócrates,
é
que te condenaram à morte injustamente!"
Mas Sócrates, abanando a cabeça, replicava:
"Meu caro Apolodoro, você preferiria que me
houvessem condenado justamente?
Sócrates calmamente responde as perguntas de
seus discípulos sobre a alma, sua separação do
corpo depois da morte, e sua imortalidade.
Até descreve
as experiências da alma depois de sua libertação
do corpo. E finaliza prescrevendo, como sempre, o
uso da razão:
"Pretender que as coisas sejam exatamente como
as descrevi não é o que se espera de um homem de
bom senso. Mas parece-me uma coisa boa e digna
de confiança acreditar que é algo semelhante o
que acontece com a alma, uma vez que ela é
evidentemente imortal."
Método de
Sócrates
Insistindo no perpétuo fluxo das coisas e na
variabilidade
extrema das impressões sensitivas determinadas pelos
indivíduos que de contínuo se transformam, concluíram os
sofistas pela impossibilidade absoluta e
objetiva do saber.
Sócrates restabelece-lhe a possibilidade, determinando o
verdadeiro objeto da ciência.
O objeto da ciência não é o sensível, o particular,
o
indivíduo que passa; é o inteligível, o conceito que se
exprime pela definição.
Este conceito ou idéia geral obtêm-se por um
processo
dialético por ele chamado indução.
Na exposição polêmica e didática de suas idéias,
Sócrates
adotava sempre o diálogo, que revestia uma dúplice forma,
conforme se tratava de um adversário a confutar ou de um
discípulo a instruir.
No primeiro caso, é o que se denomina ironia socrática.
No segundo caso, é um processo pedagógico, em
memória
da profissão materna, denominava ele de maiêutica ou
engenhosa obstetrícia do espírito, que facilitava a
parturição
das idéias. (linha filosófica que procura dentro do Homem
a verdade).
Doutrinas Filosóficas
Platão, pelo contrário, foi filósofo grande demais
para nos
dar o preciso retrato histórico de Sócrates; nem sempre é
fácil discernir o fundo socrático das especulações
acrescentadas por ele. Seja como for, cabe-lhe a glória de ter
sido o grande historiador do pensamento de Sócrates, bem
como o seu biógrafo genial.
“Conhece-te a ti mesmo” – o lema em que Sócrates
cifra
toda a sua vida de sábio. O perfeito conhecimento do homem
é o objetivo de todas as suas especulações e a moral, o centro
para o qual convergem todas as partes da filosofia. A
psicologia serve-lhe de preâmbulo, a teodicéia de
estímulo à
virtude e de natural complemento da ética.
Em psicologia, Sócrates professa a espiritualidade e imorta-
lidade da alma, distingue as duas ordens de conhecimento,
sensitivo e intelectual, mas não define o livre arbítrio, identifi-
cando a vontade com a inteligência.
Em teodicéia, estabelece a existência de Deus:
Argumento Teológico: formula claramente o princípio: “tudo
que é adaptado a um fim é efeito de uma inteligência”;
Argumento da Causa Eficiente (apenas esboçado): “se o
homem é inteligente, também inteligente deve ser a causa
que o
produziu”;
sabedoria e o homem pode propiciá-lo com sacrifícios e
orações.
Apesar destas doutrinas elevadas, Sócrates aceita
em muitos
pontos os preceitos da mitologia corrente que ele aspira
reformar.
Moral: é a parte culminante da sua filosofia.
Gnosiologia
A gnosiologia (estuda o conhecimento
humano) de Sócrates, que se concretizava no seu ensi-
namento
dialógico, donde é preciso extraí-la, pode-se esque-
maticamente
resumir nestes pontos: ironia, maiêutica, intros-
pecção,
ignorância, indução, definição.
Antes de tudo, cumpre desembaraçar o espírito dos conhe-
cimentos errados, dos preceitos, das opiniões; este é o mo-
mento da ironia, isto é, da crítica. Sócrates, de par com os so-
fistas,
ainda que com finalidade diversa, reivindica a indepen-
dência da
autoridade e da tradição, a favor da reflexão livre e
da convicção racional.
A seguir será possível realizar o conhecimento
verdadeiro,a
ciência, mediante a razão. Isto quer dizer que a
instituição não
deve consistir na imposição extrínseca de uma doutrina ao
dis-
cente, mas
o mestre deve deve tirá-la da mente do discípulo,
pela razão imanente e constitutiva do espírito humano, a
qual
é um valor universal. É a famosa maiêutica de Sócrates, que
declara auxiliar os partos do espírito, como a sua mãe auxiliava
os partos do corpo.
Esta interioridade do saber, esta intimidade da
ciência – que
não é absolutamente subjetivista, mas é a certeza
objetiva da
própria razão – patenteiam-se no famoso dito socrático
“conhece-te a ti mesmo” que, no pensamento de Sócrates,
significa precisamente consciência racional de si mesmo, para
organizar racionalmente a própria vida. Entretanto,
consciência
de si mesmo quer dizer, antes de tudo, consciência da
própria
ignorância inicial e, portanto, necessidade de superá-la pela
aquisição da ciência. Esta ignorância não é, por
conseguint
ceticismo sistemático, mas apenas metódico, um poderoso im-
pulso para o saber, embora o pensamento socrático fique,
de
fato, no agnosticismo filosófico por falta de uma
metafísica,
pois, Sócrates achou apenas a forma conceptual da
ciência,
não o seu conteúdo.(Agnosticismo-sem conhecimento).
O procedimento lógico para realizar o conhecimento verda-
deiro,
científico, conceptual é, antes de tudo, a indução: isto é,
remontar do particular ao universal, da
opinião à ciência, da
experiência ao conceito.
Este conceito é, depois, determinado precisamente
mediante
a definição, representando o ideal e a conclusão do
processo
Gnosiológico socrático, e nos dá a essência da realidade.
A MoraL
Como Sócrates é o fundador da ciência em geral,
mediante
a doutrina do conceito, assim é fundador, em particular da
ciência moral, mediante a doutrina de que eticidade significa
racionalidade, ação racional.
Virtude é inteligência, razão, ciência, não sentimento,
rotina, costume, tradição, lei positiva, opinião comum.
Tudo
isto tem que ser criticado, superado, subindo até à
razão, não
descendo até à animalidade – como ensinava os sofistas.
É sabido que Sócrates levava a importância da razão
para a
ação moral, até àquele intelectualismo que, identificando
co-
nhecimento e virtude – bem como ignorância e vício –
tornava
impossível o livre arbítrio.
Entretanto, como a gnosiologia socrática carece de
uma
especificação lógica, precisa – afora a teoria geral de
que a
ciência está nos conceitos – assim a ética socrática
carece de
um conteúdo racional, pela ausência de uma metafísica.
Se o fim do homem for o bem – realizando-se o bem
medi-
ante a virtude, e a virtude mediante o conhecimento –
Sócrates
não sabe, nem pode precisar este bem, esta felicidade,
preci-
samente porque lhe falta uma metafísica.
Traçou, todavia, o itinerário, que será percorrido
por Platão
e acabado, enfim, por Aristóteles. Estes dois filósofos, partin-
do dos pressupostos socráticos, desenvolverão uma
gnosiologia acabada, uma grande metafísica e, logo, uma
Moral.
Escolas Socráticas Menores
A reforma socrática atingiu os alicerces da
filosofia. A dou-
trina do conceito determina para sempre o
verdadeiro objeto
da ciência: a indução dialética reforma o método
filosófico; a
ética une pela primeira vez e com laços indissolúveis a
ciência
dos costumes à filosofia especulativa.
Não é, pois, de admirar que um homem, já aureolado
pela
austera grandeza moral de sua vida, tenha, pela novidade
de
suas idéias, exercido sobre os contemporâneos tamanha
influ-
ência.
Entre os seus numerosos discípulos, além de simples
ama-
dores, como Alcibíades e Eurípedes, além dos
vulgarizadores
da sua moral (socratici viri), como Xenofonte, havia
verdadei-
ros filósofos que se formaram com os seus ensinamentos.
Dentre estes, alguns, saídos das escolas anteriores não
lograram
assimilar toda a doutrina do mestre;desenvolveram exagerada-
mente algumas de suas partes com detrimento do conjunto.
Sócrates não elaborou um sistema filosófico
acabado, nem
deixou algo escrito; no entanto, descobriu o método e fundou
uma grande escola. Por isso, dele depende, direta ou indireta-
mente, toda a especulação grega que se seguiu, a qual,
mediante
o pensamento socrático, valoriza o pensamento dos
pré-socráticos desenvolvendo-o em sistemas vários e originais.
Isto aparece imediatamente nas escolas socráticas.
Estas – mesmo diferenciando-se bastante entre si –
concor-
dam todas pelo menos na característica doutrina socrática de
que o maior bem do homem é a sabedoria.
A escola socrática maior é a platônica; representa o desenvol-
vimento
lógico do elemento central do pensamento socrático – o
conceito – juntamente com o elemento vital do
pensamento pre-
cedente, e culmina em Aristóteles, o vértice e a
conclusão da
grande metafísica grega. Fora desta escola começa a
decadência
e desenvolver-se-ão as escolas socráticas menores.
São fundadores das escolas socráticas menores, das
quais as
mais conhecidas são:
A escola de Megara, fundada por Euclides (449-369), que
tentou uma conciliação da nova ética com a metafísica dos
eleatas
e abusou dos processos dialéticos de Zenão.
A escola Cínica, fundada por Antístenes(n.c.445), que, exage-
rando a doutrina socrática do desapego das coisas
exteriores, de-
generou, por último, em verdadeiro desprezo das
conveniências
sociais.
A escola cirenaica ou hedonista, fundada por Aristipo
(n.c. 425) que desenvolveu o utilitarismo do mestre em
hedo-
nismo ou moral do prazer. Estas escolas, que, durante o
segun-
do período, dominado pelas altas especulações de Platão e
Aristóteles, verdadeiros continuadores da tradição socrática,
vegetaram na penumbra, mais tarde recresceram
transformadas
ou degeneradas em outras seitas filosóficas. Dentre os
herdeiros
de Sócrates,porém, o herdeiro genuíno de suas idéias, o
seu mais
ilustre continuador foi o sublime Platão.
Conclusões
Embora, pelo que se supõe, não tenha sido
discípulo de nenhuma escola filosófica específica,
Sócrates certamente sabia de sua existência e
compreendia o alcance de suas doutrinas.
Sua formação era inata, pessoal, superando o
conhecimento de outras escolas doutrinárias
provavelmente através de profunda meditação.
A exposição da concepção lógica e moral de Sócrates é
inseparável da narração dos fatos de sua vida, pois sua vida foi a realização,
passo a passo, de sua filosofia.
Supõe-se que Sócrates tenha iniciado sua
atividade pública de educador já em idade
madura. Seu magistério tinha caráter popular e
educativo. Poderíamos sempre encontrá-lo nas
ruas de Atenas, na praça pública, no ginásio, no
mercado, em casa de amigos, no atelier do
sapateiro Simão. A ninguém desprezava. A todos
pretendia ensinar e com todos, aprender.
Afirmando ironicamente que de nada sabia,
Sócrates logo de início desarmava seu interlocutor
e encorajava-o a expor seus pontos fracos.
Através de perguntas, introduzia ora um, ora outro
conceito, até que a pessoa via-se em tal conflito que
já não podia prosseguir. Embaraçada, percebia que
não sabia o que julgava saber e que apenas
cultivara preconceitos.
A partir daí, Sócrates podia guiá-la para o verdadeiro
conhecimento, fazendo que extraísse de si mesma a resposta.
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